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O que é ISO 50.001?

A ISO “International Organization for Standardization” é uma organização fundada em 1946 e sediada em Genebra, na Suíça. Seu propósito é desenvolver e promover normas que possam ser utilizadas por todos os países do mundo.

A ISO 50.001 é uma norma que especifica requisitos para se estabelecer, implementar, manter e melhorar um sistema de gestão de energia.

A norma ISO 50.001:2018 foi elaborada pelo “Technical Committee Energy Management and Energy Savings” (ISO/TC 301) e aqui no Brasil esta norma foi traduzida pelo Comitê Brasileiro de Gestão e Economia de Energia (ABNT/CCB-116).

Sua implementação visa o aprimoramento contínuo do desempenho energético através da mensuração relacionada a eficiência energética, o uso da energia e seu consumo.

Norma inicialmente criada em 2011 que teve sua primeira revisão em 2018 para se assemelhar as demais normas da série ISO, como a 9001, 14001, 45001, dentre outras.


QUAIS AS VANTAGENS NA IMPLEMENTAÇÃO DA ISO 50.001?

A implementação eficaz da norma fornece uma abordagem sistemática para a melhoria do desempenho energético, por isso proporciona as seguintes vantagens:

· Torna as organizações mais competitivas através de sua contribuição na redução dos custos com energia e melhoria na eficiência.

· Leva as organizações a reduzirem os gases de efeito estufa relacionados ao seu consumo proporcionando uma imagem de empresa responsável.

· Facilita o cumprimento das metas de mitigação das mudanças climáticas.


COMO A ISO 50.001 ESTÁ ESTRUTURADA?

A norma ISO 50.001 não difere das demais normas da série ISO, portanto segue o padrão do Anexo SL – estrutura de alto nível que proporciona maior compatibilidade entre as normas da série.


A seguir os capítulos da norma:


Destacamos em negrito os requisitos que devem ser implementados.

Para entendermos o propósito da norma e os requisitos mais relevantes de sua estrutura, vale esclarecer algumas definições:


a. sistema de gestão da energia – SGE: sistema de gestão que estabelece uma política energética, objetivos, metas energéticas, planos de ação e processo(s) para alcançar os objetivos e metas energéticas.

b. indicador de desempenho energético – IDE: medida ou unidade de desempenho energético, conforme estabelecido pela organização, podem ser expressos como uma métrica simples, razão ou um modelo, dependendo das naturezas das atividades sendo medidas.

c. linha de base energética – LBE: referência(s) quantitativa(s) fornecendo uma base para comparação do desempenho energético.

a. Uso significativo de energia USE: uso da energia responsável por substancial consumo da energia e/ou que ofereça potencial considerável para melhoria do desempenho energético.


Nesta matéria não retrataremos os requisitos 4 e 5 da norma por seguirem exigências análogas as demais normas da série ISO, porém deixamos um treinamento aprofundado a respeito da interpretação desta norma no final deste artigo. Você deverá apenas clicar no link para ter acesso a todas as informações.


Iniciaremos pelo requisito 6 por ser uma questão bem relevante nesta norma.

Já no planejamento a norma direciona as organizações a possuírem:


a. 6.1 Riscos e Oportunidades: Segue a mesma linha das outras normas da série, planejar a gestão considerando o contexto da organização, partes interessadas, política energética e ações que levam a melhoria contínua. A organização continua precisando planejar seu sistema de gestão baseado nos riscos e oportunidades como para as demais normas da série ISO.


b. 6.2 Objetivos, metas e planos: Segue a mesma linha das outras normas da série, porém o interessante que a norma incentiva o entrelaçamento com a política (idem as demais normas), os locais ou equipamentos com consumo de energia substancial (USEs), a revisão energética, os indicadores de desempenho e a linha base energética. Estes requisitos formam um conjunto muito interessante para a demonstração das melhorias. Vamos explicar os requisitos e no final colocaremos um resumo para facilitar o entendimento.


c. 6.3 Revisão energética: Nada mais é que, identificar os tipos de energia, avaliar o uso e consumo atual e passado, identificar os locais ou equipamentos com consumo substancial, determinar as variáveis de interferência (clima, tempo de operação, temperaturas, etc), determinar o desempenho e projetor seu futuro pensando na melhoria contínua.


d. 6.4 Indicadores de desempenho energético: Devem ser selecionados para proporcionar adequado monitoramento e medição do desempenho energético.


O interessante é que devem ser comparados com a linha base energética, que é o padrão para demonstrar o desempenho.


a. 6.5 Linha de base energética (LBE): A organização deve estabelecer uma ou mais LBE utilizando as informações da(s) revisão(ões) energética(s), levando em conta um período de tempo apropriado. É aqui que são estabelecidas as linhas para demonstrar a melhoria do desempenho. Grosseiramente podemos chamar de linhas comparativas.


b. Planejamento para coleta de dados energéticos: A organização deve assegurar que as características-chave de suas operações que afetem o desempenho energético sejam identificadas, medidas, monitoradas e analisadas em intervalos planejados.


Parece complicado, mas não é, tudo inicia na revisão energética conforme figura 01:


Figura 01: Revisão energética e a identificação dos USEs.


A ideia é mapear as nossas atuais fontes de energia, onde são utilizadas, verificar o uso e o consumo passado e presente e identificar nossos “grandes vilões - oportunidades”, denominados de consumo substancial – USEs.

Ainda não acabamos. Veja só. Após identificar os USEs, buscamos o entendimento das variáveis que afetam estes USEs (clima, horas de operação, etc) e normalizamos as energias para termos padrões de comparação. Veja a figura a seguir.


Figura 02: Relação USEs, variáveis que afetam estes USEs e normalização do desempenho.


Os indicadores são definidos e a melhoria contínua é comprovada conforme a próxima figura.


Figura 03: Relação da linha base e as oportunidades de demonstração de melhoria no desempenho energético.

Os requisitos 8, 9 e 10 seguem a mesma linha das normas da série ISO. Respectivamente, requisito 8: controles operacionais necessários para se alcançar os objetivos, requisito 9: com monitoramento e medição, incluindo avaliação de conformidade legal e o encerramento do ciclo com o requisito 10 tratando de não conformidades, ações corretivas e melhoria.


A CERTIFICAÇÃO NO BRASIL E NO MUNDO?

De acordo com as pesquisas realizadas pelo ISO Survey of Management System Standard Certifications, em 2019 tínhamos um total de certificados emitidos e válidos de 18.227, com cobertura a 42.215 sites no Mundo.


No Brasil, o País com mais certificados da América do Sul, eram na ocasião da pesquisa, 73 certificados emitidos e válidos, com uma cobertura de 96 sites.

Fizemos alguns recortes para terem uma ideia do ranking de certificados ao redor do Mundo, porém enfatizamos que esta não é a tabela completa da pesquisa.


O Brasil representa menos de 0.5% dos certificados emitidos e válidos no Mundo.